terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Reserva Ambiental Fazenda Monte Verde

A RELEVÂNCIA ECOLÓGICA DA RESERVA AMBIENTAL FAZENDA MONTE VERDE

A RELEVÂNCIA ECOLÓGICA

A Fazenda Monte Verde está localizada no último "grande" remanescente de floresta tropical primária densa da Região Bragantina. Um fragmento dessa floresta, de 190 hectares está localizado na Fazenda Monte Verde, onde pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) vêm avaliando desde 1991, a ecologia e a dinâmica desse fragmento florestal e a sua importância como restaurador da biodiversidade de florestas secundárias (capoeiras) e de áreas degradadas em sua área de influência. Os serviços da floresta, tais como agente controlador de fogo (queimadas), de manutenção estável do clima regional/global, em especial do regime de chuvas e importância das florestas primárias e secundárias na diminuição das conseqüências nocivas do efeito estufa, estão também sendo avaliados, devendo tais estudos serem ampliados.

A partir de 1995, pesquisadores da EMBRAPA Amazônia Oriental e Universidade Federal do Pará/UFPA, vêm também desenvolvendo pesquisas na Fazenda Monte Verde. Até 1999 os estudos desenvolvidos nesse local resultaram em 4 teses de doutorado, 4 teses de mestrado, 2 trabalhos de conclusão de curso de graduação, 5 artigos científicos publicados, 4 artigos submetidos a avaliação, 5 artigos em preparação e 4 trabalhos apresentados em eventos científicos. Cinco projetos de pesquisas foram financiados por diversas instituições para serem desenvolvidos na área da Fazenda Monte Verde (MPEG, 1999).

Nessas pesquisas, ficou evidenciado através de inventários florísticos e faunísticos uma altíssima biodiversidade do fragmento florestal. Foram identificadas em parcelas permanentes de estudos, 471 espécies vegetais distribuídas em 77 famílias botânicas; destas, cerca de 173 espécies arbóreas estão ameaçadas de extinção local; a abundância foi estimada em cerca de 143 mil plantas/hectare. Foram encontradas 56 espécies de aves no sub-bosque (Roma 1999), 37 espécies de morcegos e 9 espécies de mamíferos não roedores de médio e pequeno porte.

Deve-se considerar também que existem pouquíssimos estudos publicados sobre a flora e fauna originais da região bragantina e, com certeza, tenham sido extintas inúmeras espécies que sequer foram identificadas cientificamente (MPEG, 1999).

CONSIDERAÇÕES GERAIS

De acordo com o IBDF/SUDAM (1998), citado por MPEG (1999), em 1986, quase 100% das florestas da região nordeste do Estado do Pará, cerca de 30.000 km², já haviam sido desmatadas. A região bragantina (composta pelas microrregiões Belém, Salgado e Bragantina), localizada nessa porção nordeste do Estado, possui cerca de 11 mil km², sendo a área com maior densidade demográfica da Amazônia Brasileira e o exemplo mais marcante de degradação ambiental produzida pela atividade agrícola, apresentando, em 1986, menos de 2% de áreas recobertas por florestas.

A microrregião Bragantina, onde se insere a Fazenda Monte Verde, continua a ser essencialmente agrícola e, em geral, mantém as práticas primitivas e tradicionais de características extensivas e itinerantes. A economia é baseada em culturas alimentícias 9mandioca, arroz, milho e feijão) e comerciais (fumo, pimenta do reino, malva, algodão, mamão, entre outras).

O aumento da população e o consequente incremento da demanda de alimentos aumentaram a pressão sobre o sono, tornando mais curtos os períodos de pousio, menos produtivos os solos e mais sérios os danos ambientais.

Nesse contexto, a conservação do fragmento florestal localizado na Fazenda Monte Verde é de suma importância, tendo em vista a sua localização, o seu estado de preservação, a alta biodiversidade e o desenvolvimento de estudos para o entendimento dos mecanismos de restauração ecológica da produtividade agrícola dos solos da região.

Segundo MPEG (1999), a importância da conservação desse fragmento florestal se justifica:

- Por ser o último testemunho significativo da flora e fauna originais de toda a região nordeste do Pará;
- Por constituir-se numa base efetiva de pesquisas fundamentais e aplicadas em ecologia, biologia, agrosilvicultura e economia ambiental;
- Pelo potencial como disseminador e alavancador de novas tecnologias de produção agroflorestal e do bom manejo de florestas primárias e secundárias (capoeiras) de diversas idades;
- Por propicias uma fonte sustentável de propágulos (sementes) para reflorestamentos e recuperação econômica de áreas degradadas da Amazônia Oriental;
- Por permitir a realização "in loco" de programas de educação ambiental para estudantes de ensino fundamental e médio de rede pública e privada, além de cursos de campo e treinamentos em ecologia, zoologia, botânica e agrosilvicultura para lavradores, técnicos e estudantes universitários.